Campolide,

O sapateiro prodigioso

 

Pedro Costa não sonhou ser sapateiro. Mas, quando há cerca de 15 anos, a vida o encaminhou para a profissão, depois de um período de desemprego, arregaçou as mangas e reorganizou sonhos e prioridades, projectando uma outra aspiração: “Dentro desta profissão, ser diferente”. E é.

Chama-se a si próprio “técnico de calçado”, e se o leitor (ou a leitora) é alguém com pouco tempo, e precisa, por exemplo, de fazer cópias de chaves ou arranjar os sapatos, já não precisa de sair de casa ou do emprego. O sapateiro vai ter consigo. Na oficina móvel com que Pedro percorre a cidade, pode ler-se em letra de imprensa: “Salva senhoras e senhores em apuros. Ajuda a encontrar cães e gatos perdidos. Abre portas a todas as pessoas de bem. Socorre condutores distraídos. Acode funcionários exemplares”.

Foi em Queluz de Baixo que teve a primeira loja. Depois, ainda esteve no mercado de Alcântara, mas foi em campolide, em 2009, “que se iniciou a grande `revolução´ de ser o único sapateiro da cidade de Lisboa que faz recolhas e entregas de calçado em 24 horas. Vou a casa e ao local de trabalho. E, desde Janeiro deste ano, inovei também com a oficina móvel, que passou a fazer os serviços na hora. O cliente telefona e eu vou onde ele estiver ou quiser. Ou recolho e faço a entrega 24 horas depois, ou arranjo no momento”.

O conceito é único a nível nacional: “É um projecto que levou dois anos e meio a ser concretizado. Estive quase a desistir no verão de há dois anos. Não havia recursos, não havia soluções, apesar de não haver ninguém que não acreditasse no projecto - toda a gente me dizia que era uma ideia interessante, mas não havia apoios”.

O sucesso do negócio do Pedro, é, segundo o próprio, devido à “tecnologia aliada à mobilidade. Uso o skipe ou facebook para falar com os clientes e divulgar o meu negócio. Tudo isto enquanto estou a trabalhar na minha oficina móvel. Os meus clientes estão em escritórios de advogados, em empresas... Gente habituada à internet e às redes sociais. A internet é um forte meio de divulgação. Chega mais perto e mais depressa às pessoas. Esse tem sido o meu segredo: perceber isso. Todos os dias eu gasto algum do meu tempo a fazer o meu marketing, para não cair no esquecimento”.

O investimento total foi de 18 mil euros, que hão-de diluir-se ao longo de sete anos. Para isso, vai ser preciso trabalhar muito, garante: “Trabalho das 8h00 às 19h00. E depois faço serviços em pós-laboral, entre as 20h00 e as 22h00. Já começa a haver muitas solicitações, felizmente. Gente que não tem tempo nem para se coçar. Tenho vindo a ser surpreendido por clientes que são administradores, advogados, empresários. Vou a casa buscar o trabalho à empregada e depois volto lá para o entregar”.

O sonho de Pedro, agora, é prestar, dentro da sua actividade, algum apoio social. Para isso, está em marcha um protocolo com a Junta de Fregusia de Campolide: “A quem tenha maior carência, eu arranjo os sapatos de borla. Há gente na freguesia que não tem dinheiro, sequer para comprar pão. Eu ofereço-lhe os meus serviços”. Voltaremos ao assunto e à oficina do Pedro. Ou, então, mandamos-lhe uma mensagem por facebook e esperamos que ele estacione aqui à porta para voltarmos a conversar. 

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