Campolide,

A LOJA ONDE VOU: Linflor

Olhai as flores de Campolide!

Há 25 anos que Idalina Silva torna as nossas vidas mais bonitas.

Vai ajeitando as plantas escolhidas, combinando as suas cores, acertando as ramagens que acentuam a sua grandiosidade. O ramo vai nascendo perante os nossos olhos. O branco e rosa dominam a paleta natural. Tudo acomodado com vivaz, uma ramagem adequada, e envolto em papel transparente. “Sempre trabalhei com flores, desde os 13 anos. Estou aqui na Rua de Campolide há 25 anos, comecei até numa loja mais abaixo, no nº 133, depois passei para o 137… e hoje estou aqui, no 92”, resume Idalina Silva, 61 anos de idade, para quem esta arte não tem segredos, mas concede-lhe muito gosto no seu dia-a-dia. Enquanto fala, conclui o arranjo que tem entre mãos. No final, uma minúscula joaninha de plástico amplia a força da composição.


É-lhe quase difícil separar as etapas e escolher a tarefa favorita. “Tanto gosto de preparar uma planta, como pensar no vaso, fazer o bouquet, lidar com as pessoas. Por exemplo, mesmo num funeral temos de ter uma certa sensibilidade e procurar fazer uma coisa bonita”, realça a profissional. Enquanto nos vai explicando a sua actividade, entram clientes, muitos deles habituais. Um casal que vai de férias nesse mesmo dia e pretende um ramo que possa chegar ao Algarve com ar vistoso. Ou o seu bem conhecido António Daniel, cliente há mais de 15 anos. “Já trabalhei nesta rua, mas continuo a vir cá de propósito para comprar as flores”, explica-nos.
Olhando à volta, sobressai a harmonia das cores e feitios que ajudam a definir uma loja desta natureza. Rosas, cravos, margaridas, gerberas, antúrios, gladíolos ou estrelícias. Quando começou em Campolide, Idalina partilhava a actividade com algumas colegas. “Éramos pelo menos quatro. Hoje, só resto eu, aqui no bairro. Antigamente compravam-se mais flores – meu rico escudo!”, exclama. Contudo, a diminuição da procura não se deve apenas a questões económicas, mas também, à alteração de certos hábitos, de que nem sempre temos consciência. “Não havia crematórios, quase toda a gente oferecia flores nos funerais, hoje, muita gente pensa que não faz sentido, visto que corpo vai ser cremado”, explica-nos.

O negócio faz-se em família. O marido, José, trata das entregas e das compras. “Temos fornecedores, para outras flores vamos buscar às estufas”, explica-nos Idalina. Hugo, o filho, mais na rectaguarda, ocupa-se essencialmente da parte do escritório.
Histórias curiosas destes anos de profissão? Muitas. “No dia dos namorados, 14 de Fevereiro, as flores vão sempre sem a etiqueta da casa. Há muita gente que não aceita as flores, reclama da oferta e até quer devolvê-las”, confidencia-nos. Recorrendo a um anúncio antigo, se um desconhecido lhe oferecer flores, sabe-se lá como será recebido o… impulso.

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